O Tribunal do Júri da Comarca de Boa Vista condenou Antonio Jose Cabrera Soterano a 23 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio qualificado, integração de organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. A sentença foi proferida na segunda-feira (23). As informações foram divulgadas nesta terça-feira (24) pelo Ministério Público de Roraima (MPRR).

De acordo com o processo, o crime ocorreu em novembro de 2022, em uma pousada no bairro Nova Canaã, zona oeste de Boa Vista. A vítima, Gregori Jose del Nazareth Puerta Alvarez, de 26 anos, foi morta a tiros na recepção do estabelecimento.

As investigações apontaram que o atirador entrou no local, conversou com a vítima e, em seguida, efetuou dois disparos, dificultando qualquer possibilidade de defesa. Após o crime, ele fugiu com a ajuda de um comparsa.

Segundo a denúncia do MPRR, Antonio Jose Cabrera Soterano atuou como mandante do homicídio, motivado por disputa de território pelo controle do tráfico de drogas na capital. O crime foi classificado como qualificado por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima.

Os jurados também reconheceram que o réu integrava organização criminosa estruturada com atuação transnacional. A facção foi identificada como o “Tren de Aragua”, grupo de origem venezuelana com atuação em Roraima.

Além da pena de prisão, o condenado deverá pagar 100 dias-multa. Na sentença, o magistrado determinou a expedição de mandado de prisão, considerando a gravidade dos fatos e a decisão do Tribunal do Júri. Os outros corréus já haviam sido condenados anteriormente.

A promotora de Justiça Jeanne Sampaio, que atuou no julgamento, afirmou que “a condenação reforça o enfrentamento do Ministério Público e das instituições ligadas à segurança pública e ao sistema de justiça às organizações criminosas com atuação transnacional, e demonstra que a sociedade está atenta a crimes dessa natureza”.