O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) denunciou 12 pessoas investigadas na Operação Geminus, deflagrada em março deste ano pela Polícia Civil, por envolvimento em organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com a denúncia, o grupo agia de forma estruturada e contínua ao menos desde 2024, com divisão de funções bem definida entre os integrantes e atuação voltada tanto ao tráfico de entorpecentes quanto à ocultação de valores obtidos ilegalmente.
As investigações apontam que a organização criminosa era comandada por dois irmãos, responsáveis por coordenar as operações, articular os demais integrantes e disponibilizar imóveis, veículos e recursos financeiros utilizados na logística do esquema.
Segundo o MPRR, um imóvel de alto padrão localizado no bairro Caranã, em Boa Vista, era usado como depósito de drogas. No local, a Polícia Civil apreendeu cerca de 270 quilos de skunk, distribuídos em 260 tabletes.
A droga estava escondida em sacos de estopa e estrume bovino, estratégia usada para dificultar a identificação do entorpecente pelo odor. As investigações indicam ainda que o material ilícito chegava ao estado por via aérea, sendo transportado até pistas clandestinas em Roraima.
Após o recebimento da carga, integrantes do grupo faziam o armazenamento, o transporte interno e a distribuição da droga, segundo o conjunto de provas reunidas pela investigação.
Entre os elementos utilizados na denúncia estão conversas extraídas de celulares, movimentações financeiras, relatórios telemáticos e apreensões realizadas ao longo das diligências.
A esposa de um dos investigados também foi apontada como peça importante no núcleo patrimonial e logístico, administrando o imóvel utilizado como “mocó”, controlando o acesso ao local e utilizando empresa de fachada para recebimento de valores ilícitos, incluindo R$ 510 mil ligados à carga apreendida.
O promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto destacou o trabalho de enfrentamento ao crime organizado.
“Os elementos reunidos nas investigações apontam para uma organização criminosa muito bem estruturada. O MP busca justamente romper essa cadeia criminosa uma vez que a responsabilização dos envolvidos é fundamental para desarticular e impedir a continuidade das atividades ilícitas.”
A denúncia foi apresentada na sexta-feira (22) pela Promotoria de Justiça Especializada em Tráfico de Drogas, Crimes Decorrentes de Organizações Criminosas e Crimes de Lavagem de Capitais.
