A Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) informou que não reconheceu o atestado médico de 60 dias apresentado pela servidora Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado Alexandre Ramagem. Segundo o órgão, a procuradora deixou de comparecer a duas perícias presenciais agendadas para validar o pedido de licença.

De acordo com a PGE-RR, o atestado venceu nesta sexta-feira (20), mas não foi homologado porque a servidora solicitou que a perícia fosse realizada de forma remota, pedido que foi negado. Sem o comparecimento presencial, a licença não foi formalmente concedida. O caso resultou na abertura de apuração administrativa interna para verificar o acúmulo de ausências.

Na quinta-feira (19), o procurador-geral do estado, Tyrone Mourão, determinou o retorno presencial da servidora às atividades. Rebeca classificou a medida como “perseguição política”.

Em reação ao indeferimento da licença médica, ela solicitou a execução de 78 dias de férias acumuladas, com início nesta sexta-feira.

Divergências sobre trabalho remoto

A PGE-RR também respondeu às declarações de Rebeca sobre suposta perseguição política relacionada à exigência de retorno presencial. Em nota, o órgão afirmou que a servidora não exerce teletrabalho desde agosto de 2020, apesar de ela ter declarado que atua remotamente desde 2016.

Outro ponto destacado pela procuradoria é que Rebeca solicitou remoção definitiva para a Coordenadoria da PGE em Brasília, unidade onde não havia previsão de teletrabalho. Segundo o órgão, não seria possível suspender uma modalidade que já não estava vigente.

O afastamento

Rebeca Ramagem está afastada desde 17 de novembro de 2025, quando solicitou férias até o dia 28 daquele mês e viajou para Miami com as filhas para acompanhar o marido, o ex-deputado Alexandre Ramagem, que está nos Estados Unidos após ser condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista.

Em 23 de novembro, ela pediu a prorrogação das férias até 19 de dezembro. Em 22 de dezembro, apresentou atestado médico de 60 dias solicitando licença, alegando “impactos reais, concretos, emocionais e psicológicos” decorrentes dos julgamentos envolvendo o marido. O pedido foi negado nesta sexta-feira por ausência nas perícias presenciais.

Rebeca recebia salário bruto mensal de R$ 46 mil, mas teve o pagamento suspenso e as contas bloqueadas em 12 de dezembro por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com informações de InfoMoney