A Secretaria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Roraima (SEM/ALERR) começou os atendimentos do projeto “Cuidar para Curar”, voltado a crianças vítimas de violência familiar ou outros tipos de abuso. Nesta primeira etapa, serão atendidas 20 crianças de até 12 anos, em uma sala equipada especialmente para os atendimentos na sede da secretaria.

O projeto conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo uma assistente social responsável por visitas domiciliares e uma médica voluntária para atendimentos necessários. A iniciativa surgiu durante o acompanhamento de uma mulher cujos filhos haviam parado de falar devido ao ambiente violento em casa.

“Esse projeto é inédito dentro da Secretaria Especial da Mulher, porque foca nos filhos de mulheres que, infelizmente, são vítimas de violência. É preciso destacar que a Assembleia Legislativa já desenvolve um trabalho de enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes por meio do Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania”, afirmou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos).

O contexto de violência em Boa Vista é grave. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, a capital lidera o ranking das 50 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes com as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável. Em 2023, Boa Vista ocupava o 3º lugar e, em 2024, subiu para o topo do ranking, com variação superior a 36%, registrando em média 132 casos para cada 100 mil habitantes.

Somam-se a esses números os dados de violência contra a mulher. Roraima registrou mais de 4 mil ocorrências nos últimos dois anos e mais de 360 mulheres foram assassinadas na última década, segundo o Atlas da Violência 2025, gerando, em muitos casos, crianças órfãs de homicídio e feminicídio.

A primeira fase do projeto consistiu em ouvir os responsáveis pelas crianças, seguida do início dos atendimentos individuais. Entre os casos identificados estão crianças vítimas de abuso sexual, filhos de mulheres com medidas protetivas, crianças com medo constante, dificuldades para dormir e comportamento agressivo na escola.

“Nestas avaliações preliminares, já nos deparamos com criança vítima de abuso sexual, mulheres com medida protetiva que pediram ajuda para os filhos devido a um ambiente muito violento, crianças que estão com medo, aquelas que não conseguem dormir, ou que apresentam o mesmo comportamento agressivo na escola. Histórias tristes e pesadas com um público vulnerável. O objetivo é justamente devolver para a criança um desenvolvimento pleno, dignidade, respeito, e quebrar o ciclo da violência. Ela precisa entender que tem que ser cuidada e protegida”, explicou Adria Almeida, psicóloga especialista em parentalidade e servidora da SEM/ALERR.

Segundo Adria, as experiências da primeira infância definem grande parte do que a criança será na vida adulta, reforçando a importância de intervenções precoces para modificar seu futuro.

Além do Cuidar para Curar, a SEM/ALERR oferece outros serviços gratuitos, como o Grupo Terapêutico Flor de Lótus, o Centro Humanitário de Apoio à Mulher (Chame), o projeto Cabide Delas, aulas de defesa pessoal e caravanas de saúde. Mais informações podem ser obtidas na sede da secretaria, localizada na Avenida Santos Dumont, nº 1470, bairro Aparecida, Boa Vista, ou pelo ZapChame: (95) 98402-0502.