Roraima registrou, em 2025, a maior taxa de estupros de crianças, adolescentes e mulheres do Brasil, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na última semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Apesar da redução no número de casos em relação ao ano anterior, o estado permaneceu com o maior índice do país quando considerada a população.

Segundo o levantamento, 800 mulheres foram vítimas de estupro e estupro de vulnerável no estado em 2025. O número representa queda de 14% em relação aos 903 registros contabilizados em 2024. Ainda assim, a taxa foi de 220,1 vítimas a cada 100 mil mulheres, a mais alta entre as unidades da federação.

Considerando todos os casos de estupro e estupro de vulnerável, independentemente do sexo da vítima, Roraima também aparece na primeira posição nacional, com taxa de 127,1 registros por 100 mil habitantes. Na sequência estão Rondônia (97,1), Acre (96,6) e Amapá (89,6). O Fórum informa que sete dos oito estados com as maiores taxas pertencem à Amazônia Legal, com exceção de Mato Grosso do Sul.

As pesquisadoras do FBSP afirmam que esses estados apresentam características comuns, como fronteiras internacionais, expansão do garimpo e de atividades extrativistas, desmatamento, presença de comunidades indígenas e atuação de organizações criminosas, fatores que podem contribuir para o cenário de violência sexual.

Em todo o país, o Anuário registrou 84.388 ocorrências de estupro em 2025, o equivalente a 39,5 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 5,4% em relação ao ano anterior. O Fórum, porém, alerta que a queda pode estar relacionada ao aumento da subnotificação, já que esse tipo de crime continua entre os menos denunciados.

A Pesquisa Nacional de Vitimização da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) estima que apenas 7,5% das vítimas registram boletim de ocorrência. O levantamento destaca ainda que 77% dos registros de 2025 foram classificados como estupro de vulnerável, indicando que crianças e adolescentes seguem entre as principais vítimas da violência sexual.