O Ministério da Saúde iniciou um tratamento inovador contra a malária para crianças no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a medida, o Brasil torna-se o primeiro país a disponibilizar a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país.
Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica, com investimento de R$ 970 mil, para ampliar o controle da doença em todo o território nacional. A entrega começou nesta semana e ocorre de forma gradual, com prioridade para áreas da Região Amazônica.
O primeiro território a receber o medicamento será o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que receberá 14.550 comprimidos. Ao todo, o Ministério da Saúde já recebeu 64.800 comprimidos que serão distribuídos em áreas com maior incidência da doença.
Além do Dsei Yanomami, a distribuição ocorrerá também nos Dsei Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária entre crianças e jovens de até 15 anos.
O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, afirmou que a pasta tem ampliado os investimentos para garantir acesso a tratamentos mais eficazes.
“Hoje realizamos um treinamento de profissionais de saúde que atuam no Dsei Leste e vamos ampliar para sete Dseis em todo o país. Esse é mais um exemplo da potência do SUS ao incorporar um medicamento com eficácia comprovada, com o objetivo de reduzir ainda mais os casos de malária no Brasil e contribuir para superar essa emergência sanitária”, disse.
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Batista Galvão Simão, destacou a importância da chegada do medicamento às comunidades indígenas.
“À medida que ampliamos a cobertura do tratamento com rapidez e eficiência, reduzimos também o risco de transmissão da malária nas comunidades. Se conseguirmos alcançar uma cobertura elevada, é possível reduzir em até 20 mil casos da doença”, afirmou.
Segundo o ministério, a nova apresentação do medicamento será administrada em dose única, o que facilita o tratamento, melhora a adesão e ajuda a eliminar completamente o parasita, além de prevenir recaídas.
