Uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e do Departamento de Narcóticos (Denarc) resultou na prisão em flagrante de três pessoas por tráfico de drogas no município de Caracaraí, no sul de Roraima. A ação ocorreu na segunda-feira (9) e foi divulgada pela Polícia Civil na noite desta terça-feira (10).
Durante as diligências, os policiais apreenderam, pela primeira vez no estado, a droga conhecida como dry, uma substância derivada do haxixe com alta concentração de THC (tetra-hidrocanabinol), principal composto psicoativo da cannabis.
De acordo com o delegado titular da DRE, Júlio César da Rocha, as investigações indicaram que a droga era enviada por meio de encomendas postais. Segundo ele, a apuração teve início após informações apontarem que uma jovem investigada por envolvimento com o tráfico estaria recebendo, de forma reiterada, remessas de entorpecentes enviadas via Correios a partir de outros estados.
Com base nos dados levantados, os policiais passaram a monitorar um endereço no bairro Santo Antônio, em Caracaraí. Durante o acompanhamento, a equipe flagrou a entrega de uma encomenda à investigada, de 18 anos. Na verificação do conteúdo da caixa, foi localizada a substância entorpecente.
Questionada, ela admitiu que já havia recebido outras remessas de drogas oriundas de São Paulo. Na mesma ação, os policiais prenderam dois homens, de 21 e 35 anos, apontados como colaboradores diretos na logística e na comercialização das drogas na região.
Segundo o delegado, a investigação constatou que o grupo utilizava o fluxo postal para burlar a fiscalização e transportar a droga de forma reiterada entre São Paulo e Roraima.
O material apreendido foi identificado como dry, uma variação concentrada do haxixe com alto teor de THC. Júlio César da Rocha explicou que, por apresentar maior potência que a maconha comum, a droga tem sido monitorada pelas forças de segurança devido à circulação em rotas interestaduais.
“Esse tipo de droga tem um alto poder destrutivo. Devido à alta concentração de princípios ativos, o potencial de dependência e os danos ao sistema nervoso central são severamente amplificados”, afirmou. Segundo o delegado, por ser considerado um produto de difícil produção e alto valor agregado, o dry pode chegar a R$ 30 mil o quilo, superando até mesmo o valor da cocaína.
Durante o interrogatório, a principal investigada confessou integrar uma facção criminosa. Ela relatou que os pagamentos eram feitos via Pix e que a droga seria redistribuída sob ordens de lideranças da organização. A jovem utilizava tornozeleira eletrônica e esta foi a terceira prisão dela em menos de quatro meses.
Além do dry, os policiais apreenderam porções de pasta base de cocaína, maconha, balanças de precisão, celulares e dinheiro em espécie. Os três suspeitos foram autuados por tráfico interestadual de drogas e associação para o tráfico. Após audiência de custódia nesta terça-feira, a prisão em flagrante foi homologada e convertida em preventiva.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.
