Uiramutã, no norte de Roraima, voltou a ocupar a última posição no ranking nacional de qualidade de vida elaborado pelo Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. Esta é a terceira vez consecutiva que o município aparece como o mais mal colocado do país no levantamento divulgado nesta quinta-feira (20).
Além de Uiramutã, outros dois municípios de Roraima aparecem entre os últimos colocados da lista nacional. Alto Alegre ocupa a 5.568ª posição, enquanto Amajari aparece em 5.566º lugar entre os 5.570 municípios avaliados.
O IPS analisa indicadores sociais e ambientais de todas as cidades brasileiras. O levantamento utiliza 57 indicadores públicos para medir áreas como saneamento básico, moradia, segurança pessoal, saúde, acesso à educação superior e inclusão social.
Cada município recebe uma nota entre 0 e 100. Uiramutã registrou a pior pontuação do país, com 42,44 pontos. Alto Alegre aparece com 44,72 pontos e Amajari com 45,58.
No topo do ranking nacional, o município de Gavião Peixoto, em São Paulo, alcançou 73,10 pontos e ficou na primeira posição pelo terceiro ano seguido.
Segundo o relatório, os resultados mais baixos de Uiramutã foram registrados nas áreas de “necessidades humanas básicas”, com 41,56 pontos, e “fundamentos do bem-estar”, com 49,32 pontos. Esses indicadores contribuíram para colocar o município novamente na última posição do país.
O levantamento também aponta concentração de municípios com baixo desempenho na Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão).
Outra cidade entre as mais mal colocadas é Jacareacanga, no Pará, que registrou 44,32 pontos. Das 20 cidades com menor desempenho nacional, 11 são paraenses.
O levantamento informou que a média nacional de progresso social em 2026 ficou em 63,40 pontos. Cidades com as piores notas costumam apresentar baixa densidade demográfica e localização distante de grandes centros urbanos.
Na dimensão “oportunidades”, responsável por avaliar direitos individuais e inclusão social, o Brasil registrou sua menor média, com 46,82 pontos.
O relatório destaca ainda que municípios considerados críticos na Amazônia Legal sofrem impacto negativo de indicadores ligados ao meio ambiente, como desmatamento e emissão de gases de efeito estufa.
‘Mais indígena do país’
Uiramutã tem pouco mais de 13,7 mil habitantes e fica na tríplice fronteira do Brasil com Venezuela e Guiana, a cerca de 280 quilômetros de Boa Vista. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 13,3 mil moradores do município se declaram indígenas, o que faz da cidade, proporcionalmente, a mais indígena do país.
