Relator do processo que analisa a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Jhonatan de Jesus indicou ao menos R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que resultaram em obras inacabadas, asfaltos esburacados e ausência de prestação de contas sobre a aplicação dos recursos.
As emendas foram destinadas entre 2020 e 2023, período em que Jhonatan exercia mandato de deputado federal por Roraima. A maior parte do dinheiro foi enviada ao município de Iracema, no sul do estado, a cerca de 95 quilômetros de Boa Vista, então administrado por Jairo Ribeiro, aliado político próximo do hoje ministro.
A reportagem percorreu mais de 60 quilômetros de estradas da zona rural de Iracema que deveriam ter sido recuperadas ou asfaltadas com os recursos federais. Foram encontradas vias com buracos, trechos que se transformam em lama durante o período chuvoso e asfaltos recentes já apresentando rachaduras. Em alguns pontos, a espessura da camada asfáltica é inferior ao previsto em projeto.
Também foi localizada apenas uma casa abandonada em um conjunto habitacional que deveria contar, desde 2024, com 300 moradias populares financiadas com recursos das emendas. Não há informações públicas detalhadas sobre o andamento do empreendimento ou sobre o destino da maior parte do dinheiro.
Jairo Ribeiro foi preso no ano passado por compra de votos nas eleições municipais de 2024. Ele conseguiu eleger como sucessora a aliada e correligionária Marlene Saraiva. Ribeiro é aliado antigo de Jhonatan de Jesus, que costumava chamá-lo de “irmão”. Quando o ex-deputado assumiu a vaga no TCU, o então prefeito chegou a mandar confeccionar camisetas celebrando a amizade entre os dois.
Procurado, o ministro negou desvio de finalidade e afirmou que a execução das obras e a prestação de contas cabem aos estados e municípios. A prefeitura de Iracema disse que aplicou os recursos de forma regular.
Com informações do Estadão
