O governo federal iniciou nesta segunda-feira (2) a implantação de unidades demonstrativas de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A primeira delas será instalada na Comunidade Sikamabiu, no Baixo Mucajaí, onde vivem cerca de 30 famílias, somando quase 400 indígenas.

Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o projeto tem como objetivo garantir acesso a alimentos saudáveis, respeitando os modos de vida tradicionais e recuperando áreas degradadas pelo garimpo ilegal. A iniciativa faz parte de um plano que prevê a instalação de oito unidades no território ainda este ano.

A unidade demonstrativa contará com diversas estruturas, como aviário com cem galinhas rústicas, viveiro de mudas nativas com capacidade para duas mil plantas — com destaque para açaí e cacau — e tanque de compostagem para produção de adubo natural. Também serão instaladas roças com plantio de mandioca, batata, arroz e outras culturas, além de Sistemas Agroflorestais (SAFs) para restaurar áreas abertas pelo garimpo e multiplicar sementes tradicionais. A unidade terá ainda um tanque escavado de piscicultura com 440 m².

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Roraima Rosemary Vilaça, que atua no território desde 2022 e é uma das responsáveis pelo projeto, destacou a importância da ação.

“O impacto desta ação é muito grande. A unidade modelo é um marco dentro do território. Onde já corremos o risco de levar tiro de garimpeiro, levamos estrutura e ferramentas para a conquista da soberania alimentar”, afirmou.

Técnicos da Embrapa afirmam que pelo menos outras 11 comunidades já demonstraram interesse em receber o projeto. A Terra Indígena Yanomami tem cerca de 9,6 milhões de hectares e é a maior do Brasil em extensão territorial, com aproximadamente 31 mil indígenas.

Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que, entre março de 2024 e janeiro de 2026, houve redução de 98,77% nas áreas de garimpo ativo na Terra Yanomami. Em 2024, o garimpo ocupava cerca de 4.570 hectares; ao final de 2025, a área identificada como garimpo ativo caiu para 56,13 hectares.

Com informações do Correio Braziliense