Entre 2024 e 2026, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou 189 imigrantes em situação de transporte clandestino nas rodovias federais de Roraima. No mesmo período, a corporação registrou 24 flagrantes, prendeu 31 coiotes — responsáveis pelo transporte ilegal de migrantes — e apreendeu 31 veículos utilizados no deslocamento irregular de estrangeiros pelo estado.
Segundo a PRF, cerca de 91% dos imigrantes resgatados são de nacionalidade cubana. Também houve registros de entradas de chineses, indianos e camaroneses. A principal rota utilizada pelos grupos é a BR-401, rodovia que liga o Brasil à fronteira com a Guiana e segue por aproximadamente 125 quilômetros até Boa Vista.
De acordo com a corporação, os brasileiros presos durante as abordagens representam apenas a etapa final de uma organização criminosa que atua em diversos países da América Central e da América do Sul. Os imigrantes percorrem longas distâncias até chegarem à região de fronteira entre Guiana e Brasil.
Ainda conforme a PRF, a travessia da fronteira ocorre por meio de embarcações clandestinas usadas para cruzar o rio que separa os dois países. Após a entrada no território brasileiro, os migrantes seguem viagem em veículos conduzidos pelos coiotes.
Nos flagrantes feitos em Roraima, os policiais encontraram veículos superlotados em grande parte das ocorrências. Segundo a corporação, era comum a presença de oito a dez pessoas em automóveis com capacidade para apenas cinco ocupantes.
A PRF informou que os imigrantes enfrentam exploração financeira, maus-tratos e condições precárias de transporte durante a viagem. A corporação também relatou riscos relacionados a doenças, desgaste físico extremo e até possibilidade de morte ao longo do trajeto clandestino.
Quando são resgatados, muitos migrantes apresentam sinais de desnutrição, sede e doenças respiratórias. Os policiais afirmam ainda que parte dos estrangeiros chega emocional e psicologicamente abalada depois de semanas de deslocamento por diferentes países.
Segundo a PRF, a atuação dos coiotes pode ter ligação com o tráfico de pessoas. Os suspeitos presos nas rodovias federais de Roraima respondem pelo crime de “promoção, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, da entrada ilegal de estrangeiro em território nacional ou de brasileiro em país estrangeiro”.
O crime está previsto na Lei 2.848/1940 e prevê pena de reclusão de dois a cinco anos. Após os flagrantes, os presos foram apresentados à Polícia Federal para os procedimentos legais cabíveis.
Já os imigrantes resgatados foram encaminhados aos serviços de imigração e acolhimento para regularização migratória. Aqueles que necessitavam de atendimento médico também foram levados aos serviços de saúde.
