Uma ação da Polícia Civil de Roraima, com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Roraima (FICCO/RR), resultou na prisão de um dos investigados pelo homicídio da adolescente Raquel Alexandra Cedeno Suarez, de 17 anos, desaparecida em 2025 no município de Rorainópolis, no sul do estado. As informações sobre o caso foram divulgadas nesta terça-feira (17).

Raquel desapareceu em 20 de setembro de 2025. O boletim de ocorrência foi registrado pela família no dia 23, após a jovem não retornar para casa e deixar de manter contato com parentes.

Desde o registro, a Polícia Civil iniciou diversas frentes de investigação. Os agentes reconstruíram os últimos passos da adolescente, ouviram familiares, amigos e pessoas do convívio da vítima. Um ex-namorado chegou a ser identificado e formalmente ouvido, mas foi descartado após análise dos elementos reunidos.

Durante as diligências, imagens de câmeras de monitoramento mostraram Raquel caminhando na madrugada de 21 de setembro acompanhada de dois homens, em direção à Vicinal 02. Naquele momento, os indivíduos ainda não haviam sido formalmente identificados.

Com o avanço das investigações, a polícia identificou os dois como venezuelanos, de 21 e 28 anos. Dias após o desaparecimento, ambos abandonaram suas residências em Rorainópolis e fugiram do município. Posteriormente, deixaram o país em direção à Guiana.

Diante das provas reunidas, o delegado Rick da Silva e Silva representou pela prisão temporária dos dois investigados, apontados como principais suspeitos no caso.

“Foram realizadas inúmeras diligências para localizá-los, inclusive monitoramento de endereço ligado à esposa de um dos investigados. As investigações apontavam que eles haviam fugido para a Guiana, onde um deles estaria trabalhando em uma construção”, afirmou o delegado.

Recentemente, a investigação apontou que o suspeito de 28 anos havia retornado ao Brasil e estaria em Boa Vista. As equipes passaram a monitorar uma residência no bairro Asa Branca, na zona oeste da capital. Após confirmação da presença dele no local, os policiais cumpriram o mandado de prisão temporária.

O investigado foi conduzido ao Plantão Central I. O interrogatório ocorreu por videoconferência.

Em depoimento, ele afirmou que, na noite do desaparecimento, a adolescente teria demonstrado interesse no comparsa. Segundo sua versão, os dois entraram em um quarto da residência localizada na Vicinal 02, enquanto ele permaneceu do lado de fora.

Cerca de 20 minutos depois, ainda segundo o relato, o comparsa saiu do cômodo afirmando que havia feito “algo grave” e que a jovem estava morta, pedindo ajuda para “resolver a situação”.

De acordo com o investigado, os dois decidiram ocultar o corpo para evitar que o crime fosse descoberto. Ainda durante a madrugada, retiraram a adolescente da residência e passaram a carregá-la pela Vicinal 02 até uma área de mata, próxima à casa do segundo suspeito, onde o corpo foi abandonado.

Durante a videoconferência, ele indicou o ponto exato onde o corpo foi deixado. Com base nas informações, equipes policiais se deslocaram até a área e, por volta das 17h de segunda-feira (16), localizaram restos mortais em estado de esqueletização.

O Instituto de Criminalística e o Instituto de Medicina Legal (IML), do Núcleo de Perícia Forense Regional Sul, foram acionados para realizar os procedimentos periciais e remover o material para exames complementares.

Segundo o delegado, a versão apresentada será confrontada com os laudos periciais e demais elementos técnicos reunidos na investigação.

O suspeito foi apresentado em audiência de custódia na manhã desta terça-feira, em Boa Vista. As diligências continuam para localizar o segundo investigado, que segue foragido.

“Até o momento, não sabemos ainda o que motivou o assassinato da adolescente. Pode ter ocorrido uma eventual frustração, conflito ou resistência da vítima no interior do quarto com possível conotação sexual. No entanto, seguiremos as diligências até a captura do foragido e a completa responsabilização penal de todos os envolvidos. Trata-se de um crime grave e a Polícia Civil não medirá esforços para concluir totalmente esse caso”, concluiu o delegado.