A Delegacia de Proteção ao Idoso e à Pessoa com Deficiência (DPIPCD) da Polícia Civil de Roraima esclareceu, em menos de 24 horas, um caso de estelionato contra uma médica aposentada, de 74 anos, em Boa Vista. A idosa teve mais de R$ 115 mil retirados da conta bancária por meio de transferências via Pix.
Segundo o delegado Paulo Henrique Moreira, responsável pela investigação, a vítima procurou a unidade policial na quinta-feira (12), após identificar movimentações que não haviam sido feitas por ela. O caso foi divulgado pela corporação nesta sexta-feira (13).
As apurações iniciais apontaram que os valores foram transferidos para contas em nome de duas jovens, ambas de 20 anos. Parte do dinheiro foi destinada a uma conta vinculada a uma “vaquinha” on-line registrada em nome de uma cuidadora de idosos.
De acordo com a polícia, a cuidadora trabalhava há cerca de três anos como responsável pela neta da vítima. Em depoimento, ela afirmou que, no ano passado, percebeu que a idosa costumava anotar senhas bancárias na capa do celular. Ao acessar a conta, viu que havia aproximadamente R$ 250 mil disponíveis.
A partir disso, criou uma vaquinha virtual sob o pretexto de arrecadar recursos para construir uma casa e passou a fazer transferências entre R$ 8 mil e R$ 9 mil a cada três dias, valor correspondente ao limite diário do aplicativo bancário.
Quando a conta dela foi bloqueada para receber Pix, a jovem pediu a outra mulher o empréstimo da conta, alegando que precisava receber salário. A segunda envolvida forneceu a chave Pix e passou a receber as transferências. Segundo a investigada, a dona da conta mora em uma comunidade indígena no município de Amajari e não teria conhecimento da origem ilegal do dinheiro.
A suspeita declarou ainda que utilizou os recursos para pagar despesas pessoais, incluindo festas, bares, restaurantes e compras em mercados. De forma espontânea, ela entregou à polícia uma motocicleta adquirida com parte do dinheiro e R$ 500 que ainda restavam.
O delegado instaurou inquérito para apurar todas as circunstâncias do crime, incluindo a possível contratação de crédito em nome da vítima sem autorização. Até o momento, não houve prisão, e a investigada responde ao procedimento em liberdade.
