Uma mulher de 46 anos foi presa em flagrante dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista, suspeita de se passar por advogada para atuar em favor de organizações criminosas. A prisão ocorreu na segunda-feira (29) durante uma ação integrada da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), por meio da Assessoria Especial de Inteligência (AEI) e da Polícia Penal de Roraima (PPRR).

Segundo a Polícia Civil, a investigada utilizava documentos falsificados para acessar o sistema prisional e manter contato direto com lideranças de facções criminosas, colocando em risco a segurança institucional. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (30).

As investigações apontaram que a mulher apresentava credenciais adulteradas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para se passar por advogada. Ela marcava atendimentos em nome de outros profissionais regularmente inscritos, mas comparecia sozinha às unidades prisionais. Os atendimentos eram direcionados exclusivamente a líderes de duas organizações criminosas, sendo uma de origem brasileira e outra de atuação transnacional, com o objetivo de facilitar a comunicação ilícita entre presos e o meio externo.

A prisão ocorreu quando a mulher realizava atendimento a internos ligados a facções criminosas, incluindo lideranças. Durante a revista pessoal e no veículo da investigada, foram apreendidos bilhetes manuscritos com mensagens trocadas entre integrantes de facções criminosas. Parte do material estava escondida nas roupas íntimas da suspeita.

Na ação, também foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, medicamentos de uso controlado e R$ 1.450 em dinheiro.

Após ser detida, a mulher foi conduzida à Draco, sendo autuada em flagrante pelo delegado Wesley Costa de Oliveira.

“Trata-se de uma conduta extremamente grave, porque além da falsificação documental, a investigada se utilizava indevidamente das prerrogativas da advocacia para burlar os protocolos de segurança do sistema prisional”, afirmou o delegado.

A mulher foi autuada pelos crimes de integrar organização criminosa, uso de documento falso, falsidade ideológica e falsificação de documento público. O crime é considerado inafiançável. Após audiência de custódia, a prisão em flagrante foi homologada e convertida em preventiva.