Uma clínica clandestina de oftalmologia foi desativada pela Polícia Civil em Boa Vista, na quarta-feira (24), durante uma operação que resultou na prisão de quatro pessoas por exercício ilegal da medicina, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo. A unidade funcionava em condições precárias no bairro Nova Vida, zona oeste da capital. As informações foram divulgadas na noite desta quinta-feira (25).

A ação foi coordenada pelo 5º Distrito Policial e contou com o apoio do Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM-RR), que havia feito a denúncia inicial após constatar atendimentos oftalmológicos realizados por pessoas não habilitadas.

Segundo o delegado Igor Silveira Alencar, responsável pelo caso, a clínica operava em um imóvel residencial, com equipamentos instalados de forma improvisada na cozinha, ao lado de louças sujas, enquanto pacientes aguardavam atendimento em fila.

“O que encontramos foi um esquema criminoso que colocava em risco a saúde das pessoas. A ação da Polícia Civil interrompeu essa prática ilegal, reafirmando nosso compromisso com a proteção da população”, afirmou o delegado.

Durante as investigações, foi identificado um esquema estruturado com divisão de tarefas entre os envolvidos. Um deles se apresentava como optometrista, sem possuir qualquer qualificação médica, e realizava consultas, emitindo receitas e laudos. Em seguida, outro integrante do grupo oferecia armações e lentes de óculos — a principal fonte de lucro, segundo a polícia.

A captação de pacientes era feita por meio de redes sociais, com anúncios de exames oftalmológicos em troca da doação de alimentos. A dona da residência onde a clínica funcionava era responsável pela recepção e divulgação dos atendimentos. Outra pessoa controlava o setor financeiro e a aquisição de materiais.

Entre os casos identificados, chamou atenção a emissão de uma receita para uma criança de 9 anos que não precisava de correção visual.

“Isso reforça que o objetivo do grupo era vender óculos, independentemente da real necessidade dos pacientes”, explicou o delegado.

No local, foram apreendidos equipamentos profissionais, 153 maletas com armações e dezenas de receituários preenchidos sem identificação médica. Os quatro suspeitos foram autuados em flagrante e apresentados em audiência de custódia nesta quinta-feira. Todos obtiveram liberdade provisória mediante cumprimento de medidas cautelares.