A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) recebeu nesta terça-feira (31) representantes de 17 sindicatos durante a paralisação geral dos servidores públicos estaduais. O objetivo do encontro, conduzido pelo presidente da Casa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), foi abrir diálogo sobre o reajuste salarial da categoria e buscar alternativas que atendam às demandas sem comprometer as finanças do estado.
Durante a reunião, ficou definida a criação de uma comissão especial para acompanhar as negociações. Segundo Sampaio, estava previsto na ordem do dia um projeto de lei enviado pelo Poder Executivo, propondo reajuste de 5,04% aos servidores, mas diante da insatisfação das categorias, a matéria não foi votada.
“Com a ascensão do novo governador Edilson Damião [União], os sindicatos pediram a esta Casa que houvesse um diálogo de forma urgente, para articularmos um novo valor desse percentual, tendo em vista que os servidores do Executivo acumulam perdas salariais em torno de 16%”, afirmou o presidente da ALERR.
O deputado Rarisson Barbosa (PL), relator do projeto e integrante da comissão especial, ressaltou que é necessário construir um acordo entre poderes e destacou que o governo deve apresentar proposta justa aos servidores.
“Nós queremos chegar a uma concessão e trazer aqui para o plenário um projeto que vá atender aos anseios dos nossos servidores. Nós precisamos que o governo do estado se manifeste e mande um número digno daquilo que os servidores estão solicitando”, disse Barbosa.
A paralisação envolveu categorias das áreas de educação, saúde e segurança pública, com sindicatos destacando que o índice apresentado pelo Executivo, de 5,04%, não compensaria perdas salariais entre 2019 e 2021, período sem reajustes. Em 2025, o governo havia concedido um aumento gradual de 5%.
Márcio de Jesus, diretor-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima (Sinter), disse que a mobilização começou no final de fevereiro.
“Após estudos, nós detectamos que a revisão geral anual tem uma defasagem de 39,22%, mas os sindicatos se reuniram para fazer uma cobrança de 16%. O governo apresentou um valor que entendemos que não atende às solicitações e fizemos novamente uma contraproposta no valor de 11%, que foi ignorada”, relatou.
Uma nova rodada de negociações com o governo e os sindicatos, articulada pela ALERR, estava prevista para ocorrer ainda nesta terça-feira, no Palácio Senador Hélio Campos, mas não houve informações sobre os resultados até a publicação da matéria.
