Roraima registra 7.206 pessoas vivendo em situação de rua, segundo o Informe Técnico: Perfil da População em Situação de Rua no Estado de Roraima – Dezembro de 2024, divulgado nesta semana pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (Polos-UFMG).
Os dados revelam uma concentração quase total na capital. Do total identificado no estado, 99,47% estão em Boa Vista, o que corresponde a 7.168 registros. Apenas 8 dos 15 municípios roraimenses apresentam pessoas cadastradas nessa condição. Pacaraima aparece com 15 registros, seguida por Rorainópolis, com 10. Nos demais municípios, os números são residuais ou inexistentes.
O levantamento utiliza informações do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal e faz parte de um mapeamento nacional que acompanha a evolução da população em situação de rua desde 2022. No Brasil, o número total passou de 327.925 pessoas em dezembro de 2024 para 365.822 no fim de 2025.
Em Roraima, o perfil racial mostra que a maioria dessa população é negra. Pessoas pretas e pardas representam 76,8% do total. Indígenas somam 9,8%, enquanto pessoas brancas correspondem a 12,5%.
A distribuição por faixa etária também chama atenção. Crianças e adolescentes de 0 a 17 anos representam 38,4% das pessoas em situação de rua no estado. Já o grupo de 18 a 39 anos soma 30,9%, enquanto idosos com 60 anos ou mais correspondem a 14,9%. Em relação ao gênero, 53% são homens e 47% mulheres.
O estudo aponta ainda baixo nível de escolaridade entre essa população. Cerca de 27,8% têm o ensino fundamental incompleto, e 19,4% não possuem qualquer escolarização formal. Apenas 6,4% informaram ter ensino superior incompleto ou completo.
Apesar do cenário de vulnerabilidade, o relatório indica que 86,3% das pessoas em situação de rua em Roraima atualizaram o CadÚnico nos últimos 12 meses, o que amplia o acesso a políticas públicas de assistência social.
Segundo o Observatório, o crescimento desse contingente está relacionado tanto ao fortalecimento do CadÚnico como ferramenta de registro, quanto à ausência de políticas públicas estruturantes, especialmente nas áreas de moradia, trabalho e educação.
O relatório também associa o avanço do problema à piora das condições socioeconômicas após a pandemia e aos deslocamentos forçados provocados por crises políticas, econômicas e eventos climáticos na América Latina, com destaque para a migração venezuelana.
Com informações de ac24horas
